Da Primeira Igreja ninguém esquece ...

"...e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16:18)

Não é ufanismo ou vaidade, mas falar sobre a Primeira Igreja Evangélica e Congregacional de Niterói é apenas o reconhecimento da poderosa mão de Deus neste mais de um século de abençoada existência.

É importante ter em mente que quando perdemos a noção histórica do passado, perdemos o sentido do presente, e a razão do futuro. Portanto, pensar na Primeira Igreja é reconhecer o valor histórico do seu pioneirismo em terras fluminenses; reconhecer que por aqui passaram os desbravadores do evangelho pátrio, que deixaram um marco vivo de coragem e des-temor, bem como, a ousadia dos que aqui disseminaram o evangelho por outras paragens.

Não podemos esquecer aqueles que aqui sofreram perseguição, humilhação e até ameaças de morte, para que o trabalho se edificasse. Sim, estas coisas não acontecem apenas no livro de Atos dos Apóstolos; que diga Kalley e os demais irmãos que sofreram os revezes aqui mencionado, para que hoje existisse a nossa igreja.

O salmista Davi gostava também de olhar para a história do seu povo e por isso evocava com freqüência em seus salmos: “Diga agora Israel!”. Poderíamos fazer a mesma coisa: “Diga agora Primeira Igreja!” Quantos por ti passaram e selaram a salvação em seu templo? Quantos ouviram a mensagem libertadora e ficaram livres? Quantos a rejeitaram? Quantos a ti chegaram desesperados e encontraram as consolações e o alento do Espírito Santo? Quantos em ti foram exortados a uma vida reta e mais justa? Quantos em teus átrios agradeceram as bênçãos recebidas? Quantos choraram e quantos riram? Quantos sonhos foram em ti iniciados? Diga agora Primeira Igreja! Quantos momentos difíceis, de turbulência, de tibieza, de pensamentos contrários, de facções e de falta de caridade? Sim, certamente houve momentos áureos e mo-mentos cinzentos, momentos de fraternidade e rivali-dade, mas à semelhança de Israel tu podes dizer: “Muitas vezes me angustiaram mas não prevaleceram contra mim.” Sl 57:1.

Pela sua história e pelos seus mais de cem anos de existência, podemos agradecer: “Obrigado Senhor pelos que aqui passaram, pelos que aqui estão e pelos que ainda virão; obrigado Senhor pela nossa Primeira Igreja”.


Pastor Neucir Valentim



Uma carta perdida no tempo e na história do amor.

Nictherói, 02 de setembro de 1902.

“As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios afogá-lo. Se alguém oferecesse todos os bens de sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.” Ct 8:7.

Querida Mariana, Hoje houve uma linda festa em nossa igreja. O Reverendo Philadelpho convocou toda a Igreja de Niterói, para uma grande solenidade, a do lançamento da pedra fundamental. Mamãe está dizendo que muitas pessoas ilustres estavam presentes; teve até photógrafo! Afinal, esta vai ser a primeira igreja evangélica aqui na Cidade e a segunda no Estado do Rio de Janeiro. O nosso povo está muito feliz; quem não anda muito feliz é o Vigário da Paróquia de São João. Mas, não importa, nós estamos felizes! O Seu Joaquim estava, como sempre, com seu chapéu e guarda-chuva, afinal, essa é a sua marca registrada. As crianças da igreja estavam todas com vestidos lindos e novos, feitos na casa de dona Amália, a portuguesa, que mora na rua do Imperador, aqui, próximo a Del Rei. Estive conversando hoje mesmo com o Reverendo, sobre o nosso casamento. Pedi informações sobre o casamento civil e religioso. Ele me disse que, depois que o Doutor Kalley, o nosso primeiro pastor, enviou uma carta aberta para a Assembléia Legislativa, e depois de muita luta e oração, os evangélicos podem se casar sem ter problemas com a justiça, pois, segundo ele, a nossa nova Constituição Republicana recebeu uma emenda, dando-nos o direito de promovermos os nossos próprios casamentos religiosos com efeitos civis! Estou muito feliz. Mas, com tudo isso, ainda ando um pouco apreensivo... O Reverendo Philadelpho disse que ainda precisamos construir o nosso templo, e creio, querida Mariana, que isso poderá levar anos... A nossa igreja não tem muito dinheiro.... E a maioria de nossos membros são lavradores, artesãos e artistas! (Veja só). O Reverendo sempre otimista, disse que, se fizermos uma boa campanha, em nove meses teremos um lindo templo aqui na rua da praia! Não seria maravilhoso se fôssemos os primeiros casar nesta nova Casa de Cultos? O reverendo Leônidas disse que ele deseja construir o melhor, pois, segundo ele, é para Deus! As pedras do templo já estão encomendadas e serão afixadas com óleo de baleia! O portão e as grades estão vindo do exterior, dizem que é de ferro bom e pode durar muito tempo. Ó Mariana! Como eu gostaria que o nosso casamento durasse tanto como o material com que será construído o templo...

Na cerimônia da Pedra Fundamental, um irmão da Igreja Fluminense, prometeu dar uma boa ajuda em nossa construção... Outros também se voluntariaram. A solenidade foi muito bonita e emocionante. Só faltou você aqui, para contagiar-se ainda mais com esta alegria que lhe é peculiar.

Na hora em que o Reverendo falou do futuro, fiquei olhando o mar à nossa frente... Quantos poderão como nós, apaixonados, chegar nesta Casa de Cultos e celebrar o seu amor? Daqui alguns anos, querida, serão os nossos filhos, netos e bisnetos... E já não estaremos mais aqui, mas os nossos pedacinhos estarão, por isso, eu quero ajudar nesta bela obra, que além de abrigar gente que se ama como nós, estará abrigando homens e mulheres que estarão se encontrando com Deus. Querida Mariana sinto sua falta perto de mim, e não vejo a hora de estarmos juntos aqui em Niterói. A Cidade tem crescido muito! Mande um abraço para a sua mãe e diga-lhe para começar os preparativos para a nossa festa. Conte-a sobre os sonhos que temos, de dar-lhe muitos netinhos, para correr aqui no pátio de nossa futura Casa de Cultos. Estou morrendo de saudades.

Do sempre seu, Felipe.



O Reverendo Leônidas Philadelpho inaugurou o templo da igreja nove meses depois do lançamento da Pedra Fundamental, e a foto do texto foi de fato, o registro oficial da referida solenidade. A carta, produto de ficção romático-literária, está baseada em fatos históricos contextualizados àquela época.










LIÇÃO DE TENACIDADE

A INSTALAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DA PRIMEIRA IGREJA EVANGÉLICA E CONGREGACIONAL DE NITERÓI

Apresentado ao Instituto Histórico de Niterói, em 12/06/2003(1)

Os que passam hoje pela rua Visconde do Rio Branco, defronte ao nº 309 e ouvem os sons suaves que escapam do interior da igreja, em geral não sasabem que, nos seus primeiros tempos, por ocasião de sua instalação em Niterói, aconteceram cenas dignas de figurar como exemplo de intolerância religiosa.

Só não houve mortes, felizmente.

É o que narramos aqui, mostrando mais uma vez que todo começo é difícil, sobretudo no campo espiritual, e que só a fé, a coragem e a obstinação aliadas à renúncia, conseguem vencer. Foi a lição que o casal Kalley legou aos pósteros, seguidores ou não de sua fé.

Os Kalley chegaram ao Rio de Janeiro em 1855, vindos dos Estados Unidos da América, com o objetivo de tornar conhecida de nossa gente a salvação eterna pelos ensinamentos bíblicos. Encontrando uma população em grande parte devotada ao feiticismo e a idolatria, Roberto Reid Kalley (1809-1888), escocês, médico pela Universidade de Glasgow, e ministro do Evangelho, aprovado em Londres, compositor e professor, e, sua mulher, Sara Poulton Kalley (1825-1907), evangelizadora e pintora, decidiram, sem desfalecimento, dar inicio a gigantesca obra a que se propuseram.

Tinham a vantagem sobre outros missionários aqui aportados, de já falarem nossa língua. Haviam-na aprendido na ilha da Madeira, em missão semelhante. Depois, tiveram de deixar a ilha, juntamente com as centenas de crentes que de lá saíram entre 1846 e 1848, dada a forte perseguição sofrida, para instalarem-se no Estado de Ilinóis, onde a Constituição americana lhes garantia liberdade de culto e de consciência.

Em solo americano continuaram a trabalhar em meio a seu rebanho madeirense quando, em 1853, foram convidados por carta a vir para o Brasil, a fim de difundirem o Evangelho na Corte e nos arrabaldes.

Muito antes estivera aqui o sacerdote metodista Daniel Parish Kidder (1815-1891), que teve sua obra continuada pelo reverendo presbiteriano James Cooley Fletcher (1823-1901). Este último, havia solicitado á Sociedade Bíblica Americana em Nova Iorque, o envio de dois ou três madeirenses, para ampliação de suas atividades. Houve troca de correspondência durante todo o ano de 1854, até que, em novembro, Kalley aceitou vir, sem, contudo subordinar-se aos métodos adotados por Fletcher e pela Sociedade Bíblica.

Antes de empreenderem a viagem para o Brasil, voltaram à Inglaterra, mas em abril de 1855 deixaram Southampton, rumo à Guanabara. Do Hotel Pharox passaram logo ao dos Estrangeiros, no Catete. Mas, reinando uma epidemia de cólera na cidade (que em julho daquele ano aqui ceifou mais de 4.000 vidas) e já enfrentando as primeiras dificuldades e também para se ambientarem ao meio, hospedaram-se no Hotel Oriental, em Petrópolis, em fins de junho, dificilmente poderiam, como hóspedes de hotel, iniciar suas atividades de médico e missionários e alguns meses decorridos alugaram, no Quarteirão Suíço, o "Gernheim" (Lar amado), na atual rua Benjamim Constant.

Ali começaram a praticar o culto diário, mas já em agosto haviam inaugurado em outro local, a primeira Escola Dominical, para a instrução bíblica de crianças.

Entrementes, a cólera dizimava o interior da província, Paraíba do Sul e Petrópolis pagavam elevado tributo. Nesta última, foi instalada uma enfermaria para coléricos, autorizada pelo Dr. Melo Franco, vice-presidente da Província e sob a orientação médica do Dr. José Tomás da Porciúncula. Kalley, sentindo a calamidade, ofereceu e logo foram aceitos os seus serviços médicos à Comissão Sanitária do Município de Estrela, em favor da pobreza.

Na Escola Dominical aumentavam os alunos, notadamente filhos de colonos alemães.

Amainada a epidemia em toda a região, Kalley pôde, em companhia de alguns recém-chegados refugiados madeirenses, começar sua obra no Rio de Janeiro, alugando "casa para morar e dar culto a Deus", na antiga rua da Boa Vista, hoje Conselheiro Zacarias, n.º 45, no morro da Saúde, e onde foi celebrado o primeiro ofício, em agosto de 1856, estavam presentes dez pessoas.

O local fora mal escolhido, pois incomodava a vizinhança, que se queixava. As aulas de catecismo só recomeçaram na rua do Propósito, nº 52, bem próximo, numa sala de frente de um colégio inglês, de William Pitt e William R. Esher, que aí funcionava.

Os Kalley, em Petrópolis, progrediam em sua missão, e até mesmo adultos eram batizados. As clas-ses dominicais eram dirigidas pela Sra. Kalley, à tarde.

Para auxiliar na tarefa, os Kalley importavam Bíblias, de Londres, traduzidas para o vernáculo, a partir da Vulgata pelo Pe. Antônio Pereira de Figueiredo, vendidas no Rio de Janeiro e em Petrópolis a baixo preço. Logo a imprensa carioca tomou conhecimento, alertando o bispo diocesano, D. Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, Conde de Irajá.

O Correio Mercantil de 16/12/1857 divulgou carta anônima apontando o fato e em março de 1858, ano de grave epidemia de febre amarela, a mencionada folha e a Tribuna Catholica, órgão do Instituto Episcopal Religioso, publicaram veemente artigo contra as tais "Bíblias inglesas". Era apenas o início de uma per-seguição sem tréguas.

Chegou o ano de 1859, que encontrou Dr. Kalley muito ocupado com seus enfermos em Petrópolis. Entretanto, seus adversários, procurando prejudicar as atividades religiosas do casal, decidiram atacá-lo por outro flanco, proibindo-lhe o exercício da Medicina. Em maio desse ano o subdelegado de polícia em Petrópolis, Ricardo Narciso da Fonseca, entregou-Ihe a intimação, apesar de já ter exibido o seu diploma europeu na Delegacia Policial, na véspera. Deixou então de atender a seus doentes, mas continuou a pregação religiosa.

De fato, o Núncio Apostólico, Monsenhor Mariano Palcinelli Antoniacci, através do Governo Imperial, conseguiu que o Presidente da Província, Dr. Inácio Francisco Silveira da Mota, cerceasse as atividades de Kalley. Este, como quisesse continuar a exercer a clínica, teve de submeter-se ao imprescindível exame de habilitação na Escola de Medicina, no Rio de Janeiro: em meados de agosto do mesmo ano apresentou-se para as provas na Santa Casa de Misericórdia e a 29 do mês defendeu tese, ficando habilitado a exercer legalmente a profissão de médico no Império do Brasil, daí em diante.

Em fevereiro de 1860, residindo ainda em Petrópolis, adoeceu gravemente. Chegando a notícia aos ouvidos do imperador, este foi visitá-lo; seu estado era tal, porém, que não pode receber o monarca, que repetiu a visita em 6 de março, quando permaneceu quase duas horas ao lado do leito de Kalley. Com isso cessariam as perseguições na cidade serrana.

Mais ou menos na mesma época, obteve no Rio de Janeiro, de três jurisconsultos de nomeada reputação - Drs. José Tomás Nabuco de Araújo, Urbano Sabino Pessoa de Melo e Caetano Alberto Soares - pareceres favoráveis quanto às liberdades de culto e de consciência no país, previstas em nossa Carta Magna. Munido desses documentos o casal Kalley recomeçou com mais fervor suas atividades evangelizadoras.

De fato, dizia a Constituição do Império, em seu Art. 15: "A religião católica e apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo". E, no Art. 179, § 5º, estabelece: "Ninguém pode ser perseguido por motivo de religião, uma vez que respeite a do Estado e não ofenda a moral pública." Também o Código Penal, em seus artigos n.º 276 e 278, trata do assunto.

No Rio de Janeiro seus auxiliares prosseguiam na obra, abrindo um local de pregação na rua da América; foi, porém, atacado por desconhecidos em 19 de outubro de 1860, resultando em detenção de numerosos crentes, logo libertados por ordem do Chefe de Polícia, Dr. Espiridião Elói de Barros Pimentel, com exceção de quatro, que permaneceram presos. Pregando, orando e cantando, acabaram também sendo soltos.

Enquanto isso o casal Kalley, em Petrópolis, transferiu-se de "Gernheim" para o "Eyrie", casa na antiga rua de Joinville (depois avenida Ipiranga), n.º 1.

Em 1861, mandaram imprimir o primeiro hinário evangélico brasileiro “PSALMOS E HYMNOS PARA O USO DAQUELES QUE AMAO A NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO” (2), na Tipografia Universal na rua dos inválidos. 61-B. Rio de Janeiro.

Em 1862 começaram a estender os trabalhos de evangelização em Niterói, isso por que já residiam parentes de crentes da Corte, tendo sido até celebrados casamentos em suas casas. Mas, já em agosto de 1859, o holandês João Mackeestrom aderira á Igreja Evangélica Fluminense, e Isabel Tans fora recebida no ano seguinte, e depois, houve vários batismos de adultos, todos de Niterói. Havia também um francês, André Cayret, casado com a brasileira D. Rita da Gama, proprietários de uma casa de negócios em Niterói. Aproximando-se da Igreja, Cayret não somente concordou em guardar os domingos, não mais abrindo sua loja nesses dias, como, também, ofereceu sua residência, na rua da Conceição, nº 93, para nela receber os crentes, até que se conseguisse local mais apropriado.

Em 8 de outubro de 1864, Kalley foi a Niterói, em visita a um dos membros da sua Igreja, e dirigiram uma reunião espiritual. Formou-se logo um ajuntamento defronte ao prédio e aos brados de ”Bíblia! Bíblia!" interrompendo-se o culto. Prevendo novos problemas o Dr. Kalley obteve do Governo Imperial o reconhecimento de sua condição de ministro do Evangelho, em fins de 1863, ficando, desse modo, autorizado a celebrar casamentos entre cristãos de várias nações, que o elegessem para seu pastor e se reunissem para render culto a Deus, cantando seus louvores, em língua portuguesa.

Talvez fosse esse o principal motivo da perseguição de que foi vítima: o idioma. Afinal, a Igreja Episcopal Britânica, fundada em 1820, sediada na rua dos Barbonos (atual Evaristo da Veiga) e a Igreja Evangélica Alemã na rua dos Inválidos, n.º 61, antiga também, ambas no Rio de Janeiro, não enfrentavam problemas tão graves; mas suas atividades eram processadas nos idiomas respectivos e restringiam-se a pessoas dessas nacionalidades.

No Rio de Janeiro a sede da Igreja Evangélica Fluminense passou a ser na travessa das Partilhas, atual rua Costa Ferreira, no Centro e, pouco depois, na ladeira do Barroso. Em julho de 1864 os Kalley saíram de Petrópolis e mudaram-se para lá.

A esse tempo crescia cada vez mais o número de crentes em Niterói e cogitava-se de um prédio maior para o culto. Residindo no Rio de Janeiro, tornava-se fácil para os Kalley visitar Niterói com regularidade. Nesta cidade, em 11 de agosto dirigiram nova reunião, a qual compareceram umas cinqüenta pessoas, muitas do lugar, entre as quais o Tenente Coronel, Augusto Francisco Caldas, presidente da Câmara Municipal.

As sessões foram-se repetindo, sempre com boa freqüência e às quintas-feiras.

Em 20 de outubro, muitos crentes seguiram para Niterói, onde foram recebidos pelos da cidade em casa do casal Cayret. Kalley dirigiu o culto e estiveram presentes cerca de quarenta pessoas, inclusive um subdelegado de polícia. Uma semana depois, novo culto no sobrado dos Cayret, na rua da Conceição, quando em meio à prédica penetraram no salão vários rapazes, fazendo algazarra e zombaria.

Procurando evitar a repetição do fato, Kalley procurou dias depois o Chefe de Polícia, Dr. João Ladislau Japi-Assu de Figueiredo e Melo, em seu gabinete de trabalho, na rua da Praia (atual Visconde do Rio Branco), expondo-lhe o acontecido e pedindo providências.

Mas em 3 de novembro, nova assuada, com assobios, gritarias e pedras atiradas para dentro da casa, interrompendo o culto. Ao sair, Kalley foi atacado, recebendo pancada na cabeça, sem que um policial que se achava perto se preocupasse em protegê-lo.

Novo pedido de providências ao Chefe de Polícia, uma vez que o missionário fora informado que tudo se repetiria na semana seguinte.

Quando no dia 7 de novembro um vendedor de livros religiosos de sua igreja foi insultado em Niterói, Kalley pediu audiência ao Presidente da Província, Dr. Bernardo de Sousa Franco, no sentido de se dar cobro a esse tipo mesquinho de oposição que vinha sofrendo e ao mesmo tempo do descaso da autoridade policial. Recebido pelo Dr. Sousa Franco, empossado no cargo há apenas quatro dias, este pareceu compreender as alegações do sacerdote, que saiu convencido de estar livre de novos aborrecimentos. Por via das dúvidas tornou a Niterói dois dias depois e foi ter com o Chefe de Polícia, que declarou ter conferenciado com Sousa Franco, e o tranqüilizou, afirmando que não haveria o menor incômodo no futuro.

Mas assim não aconteceu. A reunião do dia 10 foi, como as anteriores, na residência dos Cayret. Foi logo notada, entre os fiéis, a presença de dois moços, bem trajados, que nada mais eram do que os cabeças dos motins. Encontrava-se Kalley em meio à cerimônia, quando começaram a espocar foguetes na rua e uma voz dentro da sala gritou que faria “cessar aquele negócio à força de pau". Kalley fez soar seu apito de socorro, e seguiu-se grande confusão, mas o ofício prosseguiu. Terminado o culto, à porta de entrada um inspetor de polícia determinou a alguns subordinados que acompanhassem os crentes até a estação das barcas. Seguiram escoltados, tendo atrás de si umas trezentas pessoas soltando foguetes, gritando insultos e ameaças de morte. A custo, conseguiram chegar a bordo.

Nova entrevista com o presidente Sousa Franco, que pareceu surpreso ao tomar conhecimento dos detalhes, mas solicitou a Kalley apresentar-se em seu gabinete na véspera da próxima reunião.

Em 16 de novembro, o Jornal do Commercio comentou o fato e o Provinciano (jornal niteroiense, de Francisco Rodrigues de Miranda, impresso na rua S. João, 3-A) concluiu seu artigo a respeito com essa frase: "É covardia desacatar-se um estrangeiro inofensivo."

Note-se que nessa época ainda rolava a Questão Christie, e nosso país estava de relações cortadas com a Grã-Bretanha, de modo que os Kalley não podiam esperar auxilio diplomático inglês.

Sabe-se que Kalley procurou Sousa Franco também a 16 de novembro, como combinado, dessa vez em companhia da esposa. Foram muito bem recebidos e logo Sousa Franco pediu-lhe que não admitisse elemento estranho a sala do culto, e que doravante teria à porta uma patrulha policial a protegê-los. Foi uma entrevista demorada e cordial.

Logo a seguir, Kalley enviou a Sousa Franco uma carta, redigida em inglês, através de um portador, que recebeu a incumbência de esperar a resposta com o seguinte teor:

“A Suas Ex.as. os Srs.. Deputados da Assembléia Legislativa Provincial - Rio de Janeiro, Rua de S. Lourenço, 25 de Novembro de 1864.

Excelentíssimos Senhores,

É desagradável a todo o particular ser objeto de indagações públicas, quanto à sua nacionalidade, profissão e religião. Vendo, porém, pelos jornais públicos, que isto tem acontecido, a meu respeito, em vossa honrada assembléia, julgo a propósito oferecer-vos uma breve resposta. "Sou súdito de Sua Majestade Britânica: sou médico formado na Universidade de Glasgow; fiz exame na Escola Médica da Corte (Rio de janeiro) e fui plenamente aprovado, e sou membro honorário de vários institutos médicos de Londres e de E-dinburgh. "Consta-me que se tem afirmado que sou um dos agentes da Sociedade Bíblica de Londres, que tem por objeto a distribuição das Escrituras Sagradas, em todas as línguas do mundo, a um preço tão baixo, que as põe ao alcance de todos os que sabem ler.

Crendo, como eu creio, que o temor de Deus e o conhecimento da sua vontade são o alicerce da honra e da estabilidade de toda a nação tenho em muito apreço os trabalhos daquela sociedade, porém não tenho relação alguma com ela; não sou nem nunca fui missionário de qualquer indivíduo ou associação de indivíduos de qualquer nação. A minha fortuna particular é tão suficiente para os meus misteres, que eu jamais consentiria em servir qualquer pessoa ou sociedade, sob remuneração alguma que me pudessem oferecer. “Tem-se feito questão também da minha religião. Por muitos anos, tinha toda a religião por fábula e mentira e, portanto, a desprezava. Desde o tempo, porém, que, pela bondade de Deus, fui levado a examinar e a ficar satisfeito com as provas da autenticidade da Revelação de Deus e a ser convencido do seu grande amor por mim, pecador. O meu desejo agora é que outros o amem também”.

Há mais de vinte anos fui aprovado em Londres, como ministro competente do Evangelho de Cristo; e, durante a minha residência no Rio de janeiro, tenho sido eleito ministro de cristãos de várias nações, que se ajuntam para dar culto a Deus e cantar seus louvores, no idioma português. Doze artigos da crença que professamos acham-se transcritos na folha seguinte.

No dia 23 de Outubro de 1863, fui reconhecido pelo Governo Imperial como ministro desses cristãos e, portanto, autorizado a celebrar casamentos entre eles, como foi anunciado pelos jornais poucos dias depois.

Tenho a honra de ser,

Vosso criado,

Robert R. Kalley"

 

Entregue a carta, o Presidente recusou-se a dar o recibo pedido, por não estar escrita em papel estampilhado. À tarde, em Niterói, presente o casal Kalley, a sala de reuniões estava repleta, e todos muito quietos. Na rua formou-se grande aglomeração (as estimativas divergem entre 400 e 1.000 pessoas). A Sra. Kalley registrou em seu diário: "Hesitamos se seria melhor ficar ou não, aquela noite. Antes que houvéssemos decidido sobre a alternativa, um homem subiu para persuadir Kalley a confiar na sua proteção... - era o editor (redator) de um pequeno Jornal, Fluminense (3), que à porta arrazoava com o povo". Findo o culto, prossegue o diário: ... "foi terrível a descida da escada, às escuras, para sair à rua, apinhada de exaltados e amotinados. Na rua jogavam areia sobre nossas cabeças e berravam 'vivas' e 'morras'. Perto da ponte de embarque o ombro de Roberto (seu marido) sofreu uma pedrada, e o Sr. Trout teve outra, tam-bém. A nossa roda vinham trinta de nossos amigos." Já o Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, na edição do dia 19, descreveu a cena assim: (^)."Foi preciso uma escolta extraordinária para que esse padre pudesse chegar incólume ao embarque, visto que era perseguido por um grupo considerável de turbulentos, ao som de 'morras' e 'vivas'. Em um país, onde a liberdade de cultos é garantida pela Constituição, é triste que se dêem tais fatos." Também o Diário do Rio de Janeiro abriu espaço para noticiar essas lamentáveis ocorrências. (^).Pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, que transcrevia verbo ad verbum as sessões da Assembléia Provincial, pode-se acompanhar os acontecimentos e as opiniões dos deputados fluminenses, liberais e conservadores, a respeito do rumoroso caso. Sob a presidência do Deputado Alves Machado, discutiram e esmiuçaram todos os aspectos da questão Lino da Costa, José Herédia, Marinho da Cunha, Pinheiro Guimarães e sobretudo os Drs. Augusto José de Castro e Silva e José Tito Nabuco de Araújo. Os representantes do povo não só se insurgiam contra o que pregavam os Kalley, mas aborrecia-os, sobretudo ter-lhes sida dada proteção pelos soldados da Força Policial da Província. Kalley, sempre atento, mandou imediatamente imprimir uma carta aberta, distribuída generosamente entre os deputados e pessoas gradas em geral, explicando quem era e quais os seus propósitos. Conhecendo o português, mas não dominando o idioma, socorria-se dos conhecimentos do amigo José Luís de Malafaia, que corrigia o vernáculo de seus textos, sem modificar-lhes a doutrina.

O assunto começou a ocupar o plenário a partir da sessão do dia 21 de novembro (publicada no J. do Commercio. em 26-11) e se estendeu por semanas. Talvez em conseqüência dos debates na Assembléia, chegou aos ouvidos do missionário o boato de que não seria guardada a porta da casa dos Cayret na noite de 24 de novembro, ao contrário do que prometera Sousa Franco. Em vista disso, o casal de missionários não compareceu e foi dirigido o culto por João Severo de Carvalho. Escaparam, assim, os Kalley de uma noite turbulenta, agitadíssima, quando as autoridades agiram com vigor, empregando cavalaria e tropas para conter e espalhar o povo, prendendo vários desordeiros na ocasião.

Na Assembléia Provincial o Deputado Castro e Silva retirou o seu requerimento em que dias antes pedira informações sobre residência, nacionalidade e religião do Dr. Kalley e quais as providências que tem sido tomadas pelas autoridades da Capital (Niterói) no intuito de acabar com essas reuniões, em que se pregam doutrinas contrárias à religião do Estado, que nos termos da nossa legislação são verdadeiros ajuntamentos ilícitos, etc. etc.", por outro, de autoria do Dr. Nabuco de Araújo, e que em seu conteúdo nos revela, oficialmente, a que medidas extremas o Executivo recorreu. Eis o trecho inicial: "Requeiro que esta Assembléia exija do Governo as seguintes informações: 1º - Quais as razões de alto interesse público que deram lugar a que a população de Niterói, com expressiva violação do art. 179 da Constituição do Império e art.. 180 do código Penal e sem se darem às hipóteses dos art.. 285 do mesmo Código e 129 do Regulamento de 31-1-1842 ,fosse, no dia 24 do corrente, atacada e dispersada por toda a Força Policial da Capital, tendo à sua frente o Chefe de Polícia, carregando a mesma Força sobre o povo, de espadas desembainhadas, e efetuando-se prisões, sem observância dos art. 131 do Código do Processo e 114 do Regulamento de 31-1-1841. 2º - Cópia da ordem que determinou tão injustificável procedimento e por quem foi ela expedida" etc. etc. Outro deputado, Lino da Costa, confirmava, relatando que a rua da Conceição fora arvorada em praça d'armas, onde se ouviam as expressões "Mata! Faz fogo! Corta cabeças!"

Kalley, tendo sabido das providências tomadas por Sousa Franco, agradeceu-lhe por carta no dia 26, e a 28 procurou-o pessoalmente.

No dia 2 de dezembro foi tomada no Rio de Janeiro uma decisão sábia, que em grande parte contribuiu para que cessassem as hostilidades em Niterói. Resolveu-se realizar os cultos nas tardes de domingo, das 4 ás 6 horas, em vez de às quintas-feiras à noite, e o primeiro foi celebrado no dia 4 daquele mês.

Na Assembléia Provincial pouco a pouco as opiniões foram arrefecendo e se dividindo, tendo sido o Deputado Dr. Pinheiro Guimarães o primeiro a tomar a defesa de Kalley, apoiando-se nos artigos de nossa Constituição; além do mais, iam chegando as festas natalinas e o recesso parlamentar, e o assunto foi esquecido.

Para a Igreja Católica, porém, a presença de uma nova seita a disputar-lhe o rebanho, a Igreja Evangélica Fluminense era um permanente argueiro nos olhos. Por isso, continuamente, nas tribunas, nos jornais, nos púlpitos e onde mais possível fosse, atacava-se essa instituição evangélica. Ainda em 1869, sete anos antes dos Kalley deixarem o Brasil, quando um casamento realizado em Niterói pelo Pastor Ricardo Holden foi noticiado no Diário do Rio de Janeiro, imediatamente resultou em artigo altamente ofensivo nas páginas do periódico carioca O Apóstolo.

Deixando a rua da Conceição, foi o salão de reuniões sucessivamente transferido para a rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro), rua Visconde de Itaboraí, n.º 65, rua das Chagas (atual Marquês de Caxias), e, finalmente, rua Visconde do Rio Branco, a partir de 28 de outubro de 1890, na casa nº 141, de propriedade de José Luís Fernandes Braga, que a cedeu gratuitamente à Igreja Evangélica Fluminense, como Casa de Oração, até que a igreja pudesse levantar a própria. Reunindo meios pôde, afinal, ser construído o templo no terreno ao lado, n.º 143 (hoje n.º 309).

Tendo a Igreja Evangélica Fluminense concedido, em 17 de março de 1899 autonomia às Congregações de Niterói e Passa Três, houve em Niterói, em 6 de abril de 1899 uma assembléia solene, para organização da Congregação em igreja local. Ficaram atuando, como pastor o Rev. Leônidas da Silva, como presbítero, Antônio Vieira de Andrade, e, José Joaquim Vieira Rodrigues, como diácono. Na mesma ocasião compunha-se de 36 membros, então transferidos da igreja mãe (Igreja Evangélica Fluminense). Os primeiros estatutos da novel Igreja Evangélica de Niterói foram publicados no Jornal do Commércio, do Rio de Janeiro, em 1/12/1900.


O PASSADO ESTEVE AQUI

 

O relógio da igreja estava marcando nove horas. Já fazia tempo que marcava a mesma hora; afinal, com defeito, seus ponteiros não se moviam com a mesma freqüência de outrora. Sua posição escondia o que por trás dele havia: um belo sino. Ao olhar o sino da Primeira Igreja Evangélica de Niterói, agora enferrujado, surgiu em mim uma profunda sensação de nostalgia, mas como se eu fizesse parte de um tempo que não havia vivido. No alto do templo, olhando o mar, o meu coração voltou ao passado, não ao meu, mas o histórico, onde a imaginação pode chegar sem que o corpo precise se locomover, como se fora a soma da teoria do tempo e da relatividade de Eisnten juntos. Nele comecei a ouvir vozes lá embaixo. Eram de moças e rapazes que chegavam à igreja, a roupagem revelava que o tempo ali vivido no curto período de imaginação que tivera, voltara ao início do século. Muito riso, alegria... O mar... Que coisa bela estava à frente da igreja! Havia apenas uma pequena rua de paralelepípedos separando a igreja da praia. Da entrada do templo dava para ouvir o barulho das ondas e o vento fragoroso que vinha do mar que não parava de bater. Algumas árvores aqui e ali faziam a beleza do lugar. Sim, não havia o barulho dos tempos modernos. Vez por outra passava uma carruagem, algumas mais simples, outras mais belas como as do alcaide da cidade. O cheiro de peixe também era peculiar. Próximo à igreja, o seu Joaquim, recém chegado de Portugal, não achando meios para sobrevivência, montou sua barraquinha com peixes; segundo ele, ajudava-o a lembrar-se de Lisboa e da cidade do Porto, onde deixara sua família para tentar a vida aqui no Brasil, terra de muitas oportunidades.

O barulho das ondas era quebrado pelo som dos irmãos chegando para o culto da manhã. Havia um misto de ar do interior com o da cidade. Sim, agora com a agência dos correios inaugurada na rua da Praia, dava-lhe ar de cidade grande.

Vi-me olhando repentinamente para cinco homens de terno e chapéu; eram os oficiais da igreja. As combinações eram perfeitas em termos de vestuário, pecavam apenas pelo calor que não combinava com suas roupas, mas de resto, estavam impecáveis. Conversavam sobre a igreja, seus novos rumos e as últimas decisões da assembléia da Igreja Fluminense; segundo diziam à boca pequena, tratavam da indicação de um novo pastor para suceder o reverendo Leônidas Philadelpho, que agora estava desejando voltar para a capital. Com sua saída, novos nomes precisavam ser verificados, mas não havia tantos nomes assim em seus quadros, por isso, a igreja da Guanabara estava encomendando um novo nome. Tratava-se de João Manoel Gonçalves dos Santos. Um jovem pastor, cujo perfil se encaixaria com a igreja de Niterói. Os oficiais entraram pelos portões de ferro, quando ao seu encontro apareceu um outro homem, também de terno, alto e de cabelos encaracolados. De repente reconheci a sua fisionomia, lembrando-me das fotos antigas que guardava comigo. Tratava-se, evidentemente, do reverendo Leônidas... Pastor da igreja. Vi o seu andar cansado, parecia discursar alguma coisa para os seus pares recém chegados. Nesta hora fui tentado a falar com ele, pois de onde eu estava, certamente me ouviria... Comecei a gritar e a chamar pelo seu nome, pensando que pudesse me ouvir... Como gostaria de conversar com ele, saber dos seus planos, vida e ministério. Ao gritar, ouvi uma voz aguda entrar pe-los meus ouvidos. "Mata o rato... seca o rato! Mata o rato, seca o rato! Por apenas um real".Neste instante descobri que a teoria do tempo de Eisnten só funciona no campo da imaginação, pois lá embaixo, na chamada rua da praia, havia se desvanecida completamente a visão do passado, e agora apenas ouvia um monte de camelôs dizendo, em meio a um tumulto de uma cidade completamente conturbada: "Mata o rato, seca o rato! Três por um! Remédio para matar ratos! Olha o guaraná!".Percebi então que o passado deve ser lembrado com saudades, mas que devemos ter sabedoria para administrar o presente, para produzir um bom futuro. Foi-se embora aquela boa lembrança de um passado que não vivi, mas ficou o firme sentimento de que lembrarei com saudades dos dias do meu presente, pois em breve será passado, pois como diz o texto sacro: "Tudo o que é já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou".Ec 3:15.

(1)Apresentado pelo pastor Neucir Valentim do material publicado pelo Dr. Carlos Werhs – Capítulos da Memória de Niteroiense p. 101 a 116 – Fundação de Artes Niterói – Niterói – RJ.
(2)O erro da grafia não foi corrigido para revelar ipso facto, como foi o primeiro título de nosso hinário.
(3)Fluminense, periódico trimestral, de Carlos Bernardino de Moura, impresso na rua da Conceição, 13.

Obs. Os textos Da Primeira Igreja ninguém esquece...,Uma carta perdida no tempo e na história do amor e O passado esteve aqui, foram extraídos do livro A presença Evangélica em Niterói págs 13 a 17 e 41 a 43 de autoria do Rev. Neucir Valentim

Volta a página inicial